A era digital trouxe eficiência, velocidade e conectividade — mas também expôs as organizações a um nível de risco sem precedentes. A Pesquisa Global Digital Trust Insights 2026, conduzida pela PwC com mais de 3.800 executivos de negócios e tecnologia em 72 países, deixa claro: a confiança digital se tornou um dos principais desafios estratégicos para empresas que desejam crescer de forma sustentável.

O cenário global: superfície de risco em expansão

O estudo da PwC revela que a combinação entre tensões geopolíticas, fragmentação das cadeias globais de suprimentos, ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados — muitos patrocinados por Estados — e a rápida adoção de tecnologias como inteligência artificial e computação em nuvem ampliou significativamente a superfície de risco das empresas.

Não se trata mais de ameaças pontuais. O risco cibernético passou a ser sistêmico, conectado a fatores políticos, econômicos e tecnológicos que se retroalimentam. Para os executivos ouvidos pela pesquisa, ignorar essa realidade significa comprometer não apenas a segurança de dados, mas a continuidade e a reputação do negócio.

Brasil: consciência alta, preparo ainda insuficiente

No Brasil, o cenário é particularmente relevante. Quase 70% dos líderes brasileiros classificam o investimento em proteção contra riscos cibernéticos como uma das três principais prioridades estratégicas — um percentual acima da média global de 60%. A geopolítica, portanto, deixou de ser um tema distante e passou a ser um fator decisivo na definição das estratégias de cibersegurança das empresas nacionais.

No entanto, consciência não é sinônimo de preparo. Cerca de metade das lideranças brasileiras admite que suas empresas são apenas “razoavelmente capazes” de resistir a ataques direcionados. No cenário global, apenas 6% dos executivos se dizem totalmente confiantes diante de todas as vulnerabilidades mapeadas pelo estudo.

Esse dado evidencia um gap preocupante entre a intenção de proteger e a capacidade real de defesa — uma distância que pode custar caro em caso de incidentes.

O modelo de investimento precisa mudar

Outro ponto de alerta identificado pela pesquisa está no modelo de investimento em segurança. Menos de 30% das organizações, tanto no Brasil quanto no mundo, priorizam ações preventivas como monitoramento contínuo, testes e controles proativos.

A maioria ainda divide os recursos de forma equilibrada entre prevenção e reação a incidentes. Embora pareça uma abordagem sensata à primeira vista, essa estratégia tende a ser mais cara e arriscada no longo prazo. Reagir a um ataque consome significativamente mais recursos do que preveni-lo — sem contar os danos à reputação, à confiança dos clientes e à continuidade operacional.

Empresas que desejam construir resiliência cibernética real precisam repensar essa lógica, direcionando mais investimentos para ações preventivas e detecção antecipada de ameaças.

Inteligência artificial: oportunidade e desafio simultâneos

A pesquisa da PwC também destaca a inteligência artificial como uma prioridade crescente na cibersegurança. A IA pode potencializar a detecção de ameaças, automatizar respostas e identificar padrões anômalos com velocidade incomparável.

Porém, o mesmo avanço tecnológico que fortalece a defesa também arma os atacantes. Ameaças baseadas em IA generativa, deepfakes e engenharia social sofisticada já fazem parte do cenário atual.

Somam-se a isso dois desafios críticos: a escassez de talentos especializados em cibersegurança e a falta de maturidade na gestão de riscos emergentes, como os relacionados à computação quântica. Empresas que não investirem na formação e retenção de profissionais qualificados terão dificuldade em acompanhar a evolução das ameaças.

Cibersegurança como pilar estratégico de negócios

O recado da PwC é direto: confiança digital deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um fator crítico de competitividade, continuidade e reputação. Em um ambiente global instável, as empresas que conseguirem transformar a cibersegurança em um pilar estratégico — integrado às decisões de negócio, à governança corporativa e à cultura organizacional — estarão mais bem posicionadas para crescer e inovar com segurança.

Não se trata de eliminar todos os riscos, mas de construir uma postura de resiliência que permita à organização antecipar ameaças, responder com agilidade e preservar a confiança dos seus stakeholders.

Como avançar na prática

Para organizações que desejam fortalecer sua postura de cibersegurança, alguns caminhos se destacam: priorizar investimentos em prevenção e monitoramento contínuo em vez de concentrar recursos apenas na resposta a incidentes; integrar a cibersegurança à estratégia de negócios, levando o tema para a agenda da alta liderança; investir na formação e retenção de talentos especializados; adotar inteligência artificial de forma estratégica, tanto para defesa quanto para gestão de riscos; e acompanhar riscos emergentes, como a computação quântica, antes que se tornem ameaças concretas.

Conclusão

A Pesquisa Global Digital Trust Insights 2026 da PwC reforça uma mensagem essencial: cibersegurança não é mais um custo operacional — é um investimento estratégico. Em um mundo onde a confiança digital é moeda de troca, as empresas que tratarem o tema com a seriedade que ele exige estarão construindo as bases para crescer com sustentabilidade, inovação e credibilidade no mercado.

A confiança digital é o novo diferencial competitivo. Sua empresa está preparada para esse desafio?