Vazão de pedidos em alta, custo sob pressão, consumidor cada vez mais impaciente. Grandes operações vivem essa tensão todos os dias. A pergunta que define quem cresce é simples: como manter eficiência sem perder agilidade?

No mais recente ConfraTalks, essa conversa ganhou bastidores concretos. Alexandre Faria, COO da Dafiti, e Juliano Melo, Diretor Comercial da SEIDOR, sentaram para discutir o que de fato sustenta operações de grande porte. A tecnologia é o motor — mas o que separa o sucesso do fracasso está no equilíbrio entre processo, pessoas e retorno.

A seguir, os pontos centrais da conversa.

O ROI não é etapa final. É ponto de partida.

Juliano Melo abriu o debate com um dado que costuma silenciar a sala: estudos apontam que cerca de 95% dos projetos de tecnologia não entregam o resultado esperado.

O que coloca uma iniciativa nos 5% que dão certo? Tratar custo e ROI como decisão de dia zero — não como prestação de contas no fim. Para uma grande empresa, a tecnologia não é ferramenta de suporte. É motor estratégico. E motor estratégico se mede semana após semana, acompanhando aderência e adoção real pela operação.

“Process First”: automação não conserta processo ruim

O segundo ponto foi quase uma filosofia. Automatizar um processo ruim não resolve o problema — apenas acelera o erro.

A leitura dos convidados é direta: a tecnologia deve potencializar processos já maduros, não disfarçar processos quebrados. E todo projeto que vinga tem um dono. Um focal point que circula pela empresa, conecta áreas e garante que a inovação chegue até a ponta. Sem esse ponto focal, a ferramenta entra. A adoção, não.

O case Dafiti: automação que resolve o gargalo de pessoas

Alexandre Faria trouxe um exemplo concreto. A Dafiti, nativa digital no varejo de moda, reestruturou seu fulfillment com o sistema AutoStore — um dos maiores do mundo em operação. Em um centro com 300 mil SKUs, os ganhos foram diretos:

  • Curva de aprendizado mais curta: o tempo de formação de um novo colaborador caiu de três meses para cerca de uma semana.
  • Capacidade para picos: a operação passou a absorver demandas como a Black Friday com alta precisão.
  • Produtividade no modelo “goods to person”: o produto chega até o operador, eliminando deslocamentos desnecessários no armazém.

O ponto que costuma passar despercebido: a automação não substituiu pessoas. Resolveu um gargalo de pessoas — onboarding, precisão e fôlego para os momentos de maior pressão.

Inteligência artificial como capacidade expandida

A IA apareceu na conversa pela ótica da ampliação, não da substituição. A ideia que ficou foi a de uma “inteligência expandida” — a máquina ampliando o que a equipe consegue entregar.

Na Dafiti, ferramentas de IA já entram na produção de imagens de campanha, encurtando processos que antes levavam semanas. Na SEIDOR, soluções analíticas aplicadas à gestão de pessoas ajudaram um grande varejista a reduzir o turnover em cerca de 40%, ao identificar perfis de contratação mais assertivos a partir de dados.

São aplicações diferentes, mesma lógica: o dado orienta a decisão que antes dependia só da intuição.

Grandes decisões exigem grandes mesas

O encontro fechou em um pilar que é a própria razão de ser da ConfraBusiness. Transformações rápidas de mercado e momentos de crise não se resolvem no isolamento. Resolvem-se na troca entre quem decide.

A arquitetura relacional — líderes compartilhando dores reais e soluções testadas — é o que acelera o aprendizado de uma operação. Tecnologia se compra. Repertório de pares que já enfrentaram o mesmo problema, não.

Porque grandes decisões nascem de grandes mesas.

Assista à conversa completa

A conversa avançou por temas que valem o vídeo inteiro: como a integração entre estoque e transporte pode reduzir custo de capital, e como agentes autônomos vêm mudando o jogo no agro e no varejo.

Assista ao episódio completo do ConfraTalks e acompanhe o raciocínio dos convidados em detalhe.

Episódio do ConfraTalks com Alexandre Faria (COO, Dafiti) e Juliano Melo (Diretor Comercial, SEIDOR).