Na Expert XP, tive a oportunidade de participar de um painel ao lado de Pablo Toledo, diretor de Comunicação e Branding da BYD, e Jorge Santoro, ministro dos Transportes. A conversa abordou temas como eletrificação, infraestrutura e novas tecnologias, mas uma reflexão me chamou atenção: a transformação mais relevante da mobilidade não está acontecendo apenas nos veículos, e sim na forma como empresas e consumidores se relacionam com eles.

Durante décadas, a propriedade foi o modelo predominante. Ter um veículo representava autonomia, segurança e patrimônio. Hoje, vemos um movimento diferente. Assim como aconteceu em mercados como música, entretenimento e tecnologia, cresce a valorização do acesso, da flexibilidade e da conveniência em vez da posse.

Essa mudança já pode ser observada em diferentes perfis de consumidores. O crescimento do carro por assinatura mostra que, para muitas pessoas, ter acesso a um veículo com previsibilidade de custos, flexibilidade e menos preocupações com manutenção e desvalorização passou a fazer mais sentido do que a posse. Nas empresas, essa mesma lógica também ganha espaço. A decisão sobre mobilidade deixa de considerar apenas a compra de ativos e passa a avaliar qual modelo oferece maior eficiência financeira, operacional e estratégica para cada realidade.

Ao mesmo tempo, a evolução tecnológica amplia as possibilidades. Conectividade, telemetria, inteligência de dados e eletrificação tornam qualquer modelo de mobilidade mais eficiente. O diferencial deixa de estar apenas no veículo e passa a estar na capacidade de utilizar essas tecnologias para reduzir custos, aumentar a segurança, simplificar a gestão e apoiar decisões mais inteligentes.

Na minha visão, essa é a principal mudança que estamos vivendo. O futuro da mobilidade não será definido apenas pelos veículos que colocaremos nas ruas, mas pela forma como empresas e pessoas escolherão utilizá-los para gerar mais valor, mais eficiência e maior competitividade.

Breno Campolina
Diretor Executivo de Aluguel de Frotas